a feira
- Heloísa Lima
- 27 de abr.
- 2 min de leitura
o que não falta é gente que passa pela feira!
olha, filma, registra. leva cor, leva textura, leva história.
mas nem sempre ou quase nunca leva quem sustenta tudo aquilo.
feira livre não é só cenário.
é trabalho. é sustento. é repetição diária.
é gente que acorda cedo, monta barraca, negocia, cozinha, cria e volta no dia seguinte pra fazer tudo de novo.
e, em muitos desses lugares, são as mulheres que seguram essa conta.
feirantes. ganhadeiras. doceiras.
mulheres que não aparecem como referência, mas são base de tudo.
eu cresci nesse lugar.
vendo esse movimento acontecer todos os dias.
e entendendo, com o tempo, que muita coisa que a gente chama de tendência já existe há muito mais tempo, só nunca foi nomeada assim.
para a campari bartender competition, eu escolhi revisitar.
voltar para um coquetel que pode, à primeira vista, ser entendido como simples, mas que carrega tradição, território e história.
um coquetel que parte de um lugar onde o saber não precisa ser explicado para existir.
onde técnica e prática caminham juntas há muito tempo, mesmo antes de receberem esse nome.
quando comecei a pensar a feira, eu sabia que não queria usar esse espaço como estética.
não queria transformar em plano de fundo.
eu queria partir dele. contar a história através de quem é dona dela!
por isso a base do coquetel é uma garrafada.
inspirada nas boticas populares. nas mãos q
ue conhecem ervas, sementes e infusões sem precisar traduzir isso em técnica.
semente de coentro tostada, capim limão, alfazema e laranja.
depois, o encontro com o campari.
e a guarnição tinha que carregar esse mesmo peso.
por isso, um doce de tabuleiro.
uma cocada de rapadura, perfumada com azeite de licuri e finalizada com amêndoa de licuri tostada.
porque ali tem trabalho, sustento e tem história sendo mantida todos os dias.
colocar essa cocada no serviço é detalhe e escolha.
é trazer pro centro aquilo que quase sempre fica na paisagem.
a coquetelaria sempre esteve nas celebrações.
mas ela também deve estar aqui.
no reconhecimento. na escuta. na forma como a gente decide contar uma história.
a feira nasceu assim.
como ponto de partida.
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